Cinco minutos de acréscimo. Trezentos inimigos pessoais.
A placa sobe: cinco minutos de acréscimo. Pra todo mundo é um número. Pra você é uma sentença — trezentos segundos individuais, cada um dos quais você vai viver pessoalmente, pelo nome. Você não assiste ao jogo nos acréscimos; assiste ao relógio, voltando pro futebol só quando o grito da torcida te obriga. O Olho rastreou isso fora do estádio e o padrão é imaculado: os três pontinhos enquanto alguém digita. Os dois dias até o resultado do exame. A semana entre o 'precisamos conversar' e a conversa. Os trinta segundos que a página leva pra carregar quando importa de verdade. A espera é o seu adversário verdadeiro — não o desfecho, a espera. Algo em você decidiu, muito tempo atrás, que tempo sem supervisão é tempo perigoso, então você supervisiona todo ele, pessoalmente, a um custo altíssimo. Eis o que o Olho não para de reprisar: os segundos passam exatamente na mesma velocidade, com ou sem você de guarda. O relógio nunca notou o seu plantão. Você está fazendo hora extra não remunerada pra uma máquina que não sabe seu nome — e o jogo, a mensagem, o resultado, chegaram quando iam chegar de qualquer jeito.
Receba a sua leitura — grátis no iPhonenunca foi sobre o jogo. qualquer coisa que você não consegue adiantar é dona de um pedaço seu.