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📱 O Documentarista de Celular

Golaço. Você assistiu pela sua própria câmera.

O gol da vitória entrou e você o viu acontecer na tela do seu próprio celular, a dez centímetros do evento real. Sua galeria agora guarda quarenta versões da mesma comemoração — o plano aberto, o close do seu amigo gritando, o vertical tremido que de algum jeito é o melhor — e a sua memória em primeira mão guarda aproximadamente nenhuma. O Olho revisou as imagens; são boas imagens; nunca foi essa a questão. A questão é pra que serve a lente, e o Olho sabe: se está gravado, está a salvo. Prova de que a noite aconteceu. Prova de que você estava lá. Prova de que as pessoas que você ama estiveram, por um instante, barulhentas e felizes ao mesmo tempo numa sala só — porque uma parte quieta de você não confia que a alegria fique no lugar. Memória parece coisa que vaza pra você. Os momentos parecem já estar indo embora enquanto acontecem. Então você arquiva em tempo real, montando provas contra uma solidão futura que insiste em não ser refutada. A bandeira, protocolada com carinho: você está terceirizando a sua presença pra um chip de 128 gigas enquanto o momento real passa ao vivo, na sala, sem você inteiro dentro. As pessoas dos seus vídeos estavam completamente lá. A pessoa filmando estava pela metade.

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Pontos fortes típicos

Famosos com esse tipo

você arquiva a alegria porque uma parte de você não confia que ela fique. o olho te viu perder o momento ao vivo.

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