Não diz nada. Muda tudo.
Sua preleção de intervalo não tem palavras. Quando você está perdendo, você vai pra algum lugar — não pra longe, exatamente, mas pra dentro, atrás de uma porta cujo código ninguém mais tem. O Olho já assistiu ao ritual: o banho longo depois da notícia ruim, a caminhada de fone que não consertou nada e consertou tudo, o jeito que você sumiu do grupo por um dia e voltou reconstruído sem nenhuma explicação. As pessoas ao seu redor acham o silêncio inquietante porque não conseguem dizer se você está bem ou despedaçando, e sinceramente, durante o intervalo, nem você consegue — o silêncio serve pra isso. É a sala onde você desmonta a derrota sem plateia. Eis o que o Olho sabe e eles não: a sua quietude não é repressão. Coisas se movem lá dentro. Estruturas inteiras são demolidas e reconstruídas entre o seu primeiro tempo e o segundo. Você só não vê motivo pra narrar a obra.
Receba a sua leitura — grátis no iPhoneo silêncio não é vazio. é a única sala onde você consegue se desmontar sem alguém tentando ajudar.