Nunca foi só sobre você. Nunca vai ser.
Todo mundo está gritando, e você fica quieto. Um gesto pequeno — um olhar pra cima, a mão no peito, uma respirada — e o Olho sabe exatamente pra quem aquilo era. Toda vitória que você já teve chega com uma lista de cópia invisível: a pessoa que acreditou primeiro, a que não está aqui pra ver, o você mais novo que precisava de prova de que isso era possível. Você não vive as vitórias como suas de verdade; elas são parcelas de uma dívida de gratidão que você nunca quer terminar de pagar. O Olho vê como isso molda tudo — você desvia elogios pra agradecimentos, menciona o time antes de si mesmo, manda 'a gente conseguiu' pra pessoas que tecnicamente não fizeram nada além de importar. É lindo, e o Olho vai dizer também a parte mais difícil: em algum lugar no meio de tanta dedicatória, o seu próprio nome se perde. Você ficou tão fluente em 'isso é por eles' que 'isso é meu' soa quase grosseria. Não é. Uma parte sempre foi só sua.
Receba a sua leitura — grátis no iPhonevocê aponta pra cima tão rápido porque olhar de frente pra sua própria vitória ainda parece estar pegando algo que não é seu.